Biografia

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Não tenho pressa

    Leio devagar. Não sei se isso é uma deficiência. Pode ser uma virtude. Não tenho pressa. Já me falaram que, quando leio, fico um bom tempo com o livro na mão, pensando. Nunca percebi isso. Deve ser brincadeira dessa gente, ou implicância. Na verdade eu acho que certas partes de um livro já valeriam pela leitura do livro todo. Por que continuar, se onde cheguei está tão bom ? Parece que a frase me coloca no colo, e as palavras me embalam em um sono gostoso ... eu devo mesmo ficar com o livro na mão, pensando. Reconheço: não é implicância não. 
    Leio o mesmo livro muitas vezes. Não posso imaginar um livro lido uma única vez e deixado para sempre em uma prateleira egoísta. Pelo menos aqueles de que gostei. Seria como conhecer uma pessoa, gostar do papo e depois daquele encontro nunca mais conversar com ela. Volto aos meus livros. Sempre. Abro suas páginas e procuro as notas, as partes inteiras apoiadas no traço do lápis que lhe dão uma importância provavelmente invejada. Gosto de encontrar papéis dentro deles, bilhetes de ônibus, panfletos de rua, marcas involuntárias e outras não tão inocentes. Meus livros têm cicatrizes por todos os lados.
     Apesar da pressa do mundo, eu gosto é de ler devagar.

4 comentários:

  1. Poético e como você retratou bem esse seu lado!!!
    Mas cuidado, as vezes a leitura nos leva a um mundo ilusório, irreal. nos levando a querer estar nele. Fuga?
    Pode ser!!! Pois nosso dia a dia, problemas e outros afins, nos faz levar para tal mundo de sonhos.
    Uma realidade que é bastante cruel.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Não é implicância não ! Quando lê parece que está em outro mundo. Parece ????

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